Vivemos cercados por mensagens, telas, algoritmos e, cada vez mais, conteúdos gerados por inteligência artificial. Nesse cenário, educar também significa ensinar a compreender como a informação é construída, quem a produz, com quais interesses ela circula e de que maneira condiciona nossa percepção do mundo.
Santiago Tejedor, professor de Jornalismo da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) e diretor do Gabinete de Comunicação e Educação, pesquisa há anos a relação entre comunicação, educação e tecnologia. Seus trabalhos abordam alfabetização midiática, ciberjornalismo, novas narrativas, inteligência artificial e desinformação.
A ideia central apresentada é que a universidade não deve apenas transmitir conhecimento, mas oferecer ferramentas para que as pessoas consigam interpretar criticamente a realidade e contribuir para transformá-la, combinando tecnologia, humanismo, inovação, pensamento crítico, competências e valores.
Vivimos rodeados de mensajes, pantallas, algoritmos y, cada vez más, contenidos generados por inteligencia artificial. En este escenario, educar significa también enseñar a comprender cómo se construye la información, quién la produce, con qué intereses circula y de qué manera condiciona nuestra percepción del mundo. Santiago Tejedor, catedrático de Periodismo de la Universitat Autònoma de Barcelona (UAB) y director del Gabinete de Comunicación y Educación, lleva años investigando la relación entre comunicación, educación y tecnología. Sus trabajos sobre alfabetización mediática, ciberperiodismo, nuevas narrativas y educación —desde libros como La enseñanza del ciberperiodismo hasta sus investigaciones más recientes sobre inteligencia artificial, desinformación y formación de comunicadores— defienden una idea transversal: la universidad no puede limitarse a transmitir conocimientos; debe proporcionar herramientas para interpretar críticamente la realidad y contribuir a transformarla. Desde su experiencia docente e investigadora, Tejedor reivindica una nueva educomunicación que combine tecnología y humanismo, innovación y pensamiento crítico, competencias y valores.
¿Qué papel juega la media literacy en la educación de los futuros profesionales?
Qual é o papel da alfabetização midiática na formação dos futuros profissionais?
Um papel absolutamente central. Durante muito tempo, consideramos a alfabetização midiática uma competência especializada, vinculada principalmente a jornalistas, comunicadores ou docentes. Hoje, ela é uma competência cidadã.
Um médico, um advogado, um engenheiro ou um economista desenvolverão sua atividade profissional em um ecossistema atravessado por algoritmos, redes sociais, desinformação e inteligência artificial. Eles precisam compreender como a informação é produzida, selecionada e distribuída.
Em nossas pesquisas sobre alfabetização midiática, temos insistido justamente que não basta saber utilizar dispositivos. Uma pessoa pode dominar perfeitamente dez aplicativos e, ao mesmo tempo, ser extremamente vulnerável diante de um conteúdo falso ou manipulado.
Alfabetizar midiaticamente significa ensinar a perguntar quem fala, de onde fala, com quais fontes, com qual intenção e quais evidências sustentam uma mensagem. Em resumo, significa fornecer ferramentas para o exercício de uma cidadania mais autônoma, crítica e responsável.
Un papel absolutamente central. Durante mucho tiempo consideramos la alfabetización mediática como una competencia especializada, vinculada principalmente con periodistas, comunicadores o docentes. Hoy es una competencia ciudadana. Un médico, un abogado, un ingeniero o un economista desarrollarán su actividad profesional en un ecosistema atravesado por algoritmos, redes sociales, desinformación e inteligencia artificial. Necesitan comprender cómo se produce, selecciona y distribuye la información. En nuestras investigaciones sobre alfabetización mediática hemos insistido precisamente en que no basta con saber utilizar dispositivos. Una persona puede manejar perfectamente diez aplicaciones y ser, al mismo tiempo, tremendamente vulnerable ante un contenido falso o manipulado. Alfabetizar mediáticamente significa enseñar a preguntar quién habla, desde dónde, con qué fuentes, con qué intención y qué evidencias respaldan un mensaje. En definitiva, significa proporcionar herramientas para ejercer una ciudadanía más autónoma, crítica y responsable.
Porque hoje uma parte importante da nossa compreensão do mundo é construída por meio de mensagens que outras pessoas selecionaram para nós e, cada vez mais, por meio de algoritmos que decidem o que vemos e o que deixamos de ver. O problema já não é a falta de informação. O problema é aprender a nos orientar diante de uma abundância extraordinária de conteúdos.
Sempre digo aos meus estudantes que precisamos recuperar o valor da pergunta. Quem assina isso? Qual é a fonte? Existem evidências? O que está faltando nessa história? Por que esse conteúdo está aparecendo para mim? Quem obtém algum benefício se eu acreditar nele ou compartilhá-lo? São perguntas aparentemente simples, mas extraordinariamente educativas.
Além disso, interpretar criticamente significa aprender a conviver com a dúvida. Diante da velocidade das redes, devemos reivindicar a pausa; diante do impulso de compartilhar, a verificação; diante da polarização, a capacidade de ouvir. Essa combinação entre pensamento crítico e responsabilidade é uma das melhores defesas contra a desinformação.
Porque hoy una parte importante de nuestra comprensión del mundo se construye a través de mensajes que otros han seleccionado para nosotros y, cada vez más, mediante algoritmos que deciden qué vemos y qué dejamos de ver. El problema ya no es la falta de información. El problema es aprender a orientarnos dentro de una abundancia extraordinaria de contenidos. Siempre digo a mis estudiantes que debemos recuperar el valor de la pregunta. ¿Quién firma esto? ¿Cuál es la fuente? ¿Hay evidencias? ¿Qué falta en esta historia? ¿Por qué me aparece este contenido? ¿Quién obtiene algún beneficio si yo lo creo o lo comparto? Son preguntas aparentemente sencillas, pero extraordinariamente educativas. Además, leer críticamente significa aprender a convivir con la duda. Frente a la velocidad de las redes, debemos reivindicar la pausa; frente al impulso de compartir, la verificación; frente a la polarización, la capacidad de escuchar. Esa combinación de pensamiento crítico y responsabilidad es una de las mejores defensas frente a la desinformación.
Eu começaria pela curiosidade. É difícil educar ou comunicar bem sem um interesse genuíno em compreender o outro e descobrir aquilo que ainda desconhecemos. Acrescentaria a empatia, a capacidade de escuta, a responsabilidade, a honestidade intelectual, a criatividade e o compromisso social. Mas destacaria especialmente a humildade.
Em um ecossistema no qual todos podemos publicar e opinar sobre qualquer assunto, reconhecer que não sabemos algo tornou-se quase um ato revolucionário. O educomunicador deve saber perguntar, confrontar informações, ouvir especialistas e retificar quando necessário. Também deve compreender que comunicar implica responsabilidade.
As palavras constroem percepções, podem alimentar preconceitos ou combatê-los, invisibilizar determinados grupos ou dar-lhes voz. Por isso, a educomunicação não pode ser reduzida ao domínio de ferramentas. Precisamos de profissionais tecnologicamente competentes, mas também conscientes das consequências sociais daquilo que produzem e compartilham.
Empezaría por la curiosidad. Es difícil educar o comunicar bien sin interés genuino por comprender al otro y por descubrir aquello que todavía desconocemos. Añadiría empatía, capacidad de escucha, responsabilidad, honestidad intelectual, creatividad y compromiso social. Pero destacaría especialmente la humildad. En un ecosistema en el que todos podemos publicar y opinar sobre cualquier asunto, reconocer que no sabemos algo se ha convertido casi en un acto revolucionario. El edu-comunicador debe saber preguntar, contrastar, escuchar a los expertos y rectificar. También debe entender que comunicar implica una responsabilidad. Las palabras construyen percepciones, pueden alimentar prejuicios o combatirlos, invisibilizar a determinados colectivos o darles voz. Por eso la educomunicación no puede reducirse al dominio de herramientas. Necesitamos profesionales tecnológicamente competentes, pero también conscientes de las consecuencias sociales de aquello que producen y comparten.
Precisamos começar a pensar a universidade menos como um lugar e mais como um ecossistema de aprendizagem. O campus tradicional tem sido organizado em torno de faculdades, salas de aula e horários. Esse modelo continua tendo valor, mas se mostra insuficiente diante dos desafios atuais.
A ideia das Cidades Universitárias MIL me parece especialmente interessante porque propõe ampliar a alfabetização midiática e informacional para toda a comunidade e conectar universidade, território e cidadania. Uma biblioteca, uma rádio universitária, um laboratório, uma associação, um museu, uma praça ou até mesmo um mercado podem se transformar em espaços educativos.
Essa ideia se conecta muito com uma linha que venho tentando desenvolver há anos em meus projetos docentes: levar a aprendizagem para fora da sala de aula.
As expedições universitárias e os projetos de jornalismo de viagem, por exemplo, transformam territórios reais em cenários de aprendizagem. Os estudantes devem observar, perguntar, pesquisar, conviver e, depois, explicar aquilo que descobriram. O campus do futuro deveria ter paredes muito mais permeáveis. A universidade deve ir ao encontro da sociedade e, ao mesmo tempo, permitir que a sociedade entre na universidade.
Tenemos que empezar a pensar la universidad menos como un lugar y más como un ecosistema de aprendizaje. El campus tradicional ha estado organizado alrededor de facultades, aulas y horarios. Ese modelo sigue teniendo valor, pero resulta insuficiente ante los desafíos actuales. La idea de las Ciudades Universitarias MIL me parece especialmente sugerente porque propone extender la alfabetización mediática e informacional al conjunto de la comunidad y conectar universidad, territorio y ciudadanía. Una biblioteca, una radio universitaria, un laboratorio, una asociación, un museo, una plaza o incluso un mercado pueden convertirse en espacios educativos. Esta idea conecta mucho con una línea que he intentado desarrollar durante años en mis proyectos docentes: sacar el aprendizaje del aula. Las expediciones universitarias y los proyectos de periodismo de viajes, por ejemplo, convierten territorios reales en escenarios de aprendizaje. Los estudiantes deben observar, preguntar, investigar, convivir y después explicar aquello que han descubierto. El campus del futuro debería tener paredes mucho más permeables. La universidad debe salir a la sociedad y, al mismo tiempo, permitir que la sociedad entre en la universidad.
Precisamos mudar algumas perguntas. Se uma inteligência artificial consegue resolver em segundos uma atividade que há anos pedimos aos nossos estudantes, talvez o problema não seja apenas a inteligência artificial: talvez seja necessário rever a própria atividade. Eu reduziria progressivamente as tarefas baseadas exclusivamente na reprodução de informações e aumentaria aquelas que exigem pesquisar, comparar, experimentar, criar, argumentar e tomar decisões.
Mais problemas reais, mais projetos, mais trabalho de campo, mais conversas com pessoas, mais criação coletiva e mais defesa fundamentada das decisões tomadas. Também introduziria espaços deliberadamente livres de IA. Não como uma rejeição à tecnologia, mas como um exercício intelectual.
Devemos ensinar a utilizar essas ferramentas, mas também preservar momentos para ler, escrever, lembrar, debater e criar sem assistência tecnológica.
Interessa-me falar de uma inteligência aumentada, na qual a tecnologia amplifique nossas capacidades em vez de atrofiá-las. Por isso, proponho três aprendizagens complementares: aprender a pensar com a IA, aprender a pensar sobre a IA e preservar a capacidade de pensar sem a IA.
A inovação educacional não consiste em encher as salas de aula de tecnologia. Consiste em utilizá-la quando ela realmente melhora a aprendizagem e saber abrir mão dela quando isso não acontece.
Tenemos que cambiar algunas preguntas. Si una inteligencia artificial puede resolver en segundos una actividad que llevamos años pidiendo a nuestros estudiantes, quizá el problema no sea únicamente la inteligencia artificial: quizá tengamos que revisar la actividad. Yo reduciría progresivamente las tareas basadas exclusivamente en reproducir información y aumentaría aquellas que obliguen a investigar, comparar, experimentar, crear, argumentar y tomar decisiones. Más problemas reales, más proyectos, más trabajo de campo, más conversaciones con personas, más creación colectiva y más defensa razonada de las decisiones adoptadas. También introduciría espacios deliberadamente libres de IA. No como rechazo a la tecnología, sino como entrenamiento intelectual. Debemos enseñar a utilizar estas herramientas, pero también preservar momentos para leer, escribir, recordar, debatir y crear sin asistencia tecnológica. Me interesa hablar de una inteligencia aumentada en la que la tecnología amplifique nuestras capacidades en lugar de atrofiarlas. Por eso planteo tres aprendizajes complementarios: aprender a pensar con la IA, aprender a pensar sobre la IA y conservar la capacidad de pensar sin la IA. La innovación educativa no consiste en llenar las aulas de tecnología. Consiste en utilizarla cuando mejora verdaderamente el aprendizaje y saber prescindir de ella cuando no lo hace.
Fazer com que uma geração que terá acesso a milhões de respostas preserve o desejo e a capacidade de fazer perguntas. A inteligência artificial nos obriga a rever profundamente o que significa aprender. Se confundirmos educação com obtenção de respostas, as máquinas terão uma vantagem extraordinária.
Mas educar significa algo muito mais complexo: compreender, relacionar, imaginar, duvidar, dialogar, errar, corrigir e construir senso crítico. E aqui os valores aparecem novamente.
Podemos formar estudantes capazes de utilizar as tecnologias mais avançadas, mas, se eles não souberem ouvir, respeitar quem é diferente, identificar uma injustiça, agir com responsabilidade ou se colocar no lugar de outra pessoa, teremos construído uma educação tecnologicamente sofisticada, mas humanamente pobre.
Por isso, acredito que um dos grandes desafios educacionais do nosso tempo consiste em encontrar um novo equilíbrio entre inteligência artificial e inteligência humana.
Para mim, o termo é outro: inteligência aumentada.
Conseguir que una generación que tendrá acceso a millones de respuestas conserve el deseo y la capacidad de hacerse preguntas. La inteligencia artificial nos obliga a revisar profundamente qué significa aprender. Si confundimos educación con obtención de respuestas, las máquinas tendrán una ventaja extraordinaria. Pero educar significa algo mucho más complejo: comprender, relacionar, imaginar, dudar, dialogar, equivocarse, rectificar y construir criterio. Y aquí aparecen nuevamente los valores. Podemos formar estudiantes capaces de utilizar las tecnologías más avanzadas, pero si no saben escuchar, respetar al diferente, identificar una injusticia, actuar responsablemente o ponerse en el lugar de otra persona, habremos construido una educación tecnológicamente sofisticada pero humanamente pobre. Por eso creo que uno de los grandes retos educativos de nuestro tiempo consiste en encontrar un nuevo equilibrio entre inteligencia artificial e inteligencia humana. Para mí, el término es otro: inteligencia aumentada.
Agradecemos ao Prof. Santiago Tejedor por compartilhar suas reflexões e contribuir para este diálogo sobre educação, alfabetização midiática, cidadania e os desafios trazidos pela inteligência artificial.
Sua participação reforça a importância da construção de uma educação mais crítica, humana e preparada para as transformações do nosso tempo.
Equipe CIDCMIL, 2026.
Agradecemos al Prof. Santiago Tejedor por compartir sus reflexiones y contribuir a este diálogo sobre educación, alfabetización mediática, ciudadanía y los desafíos que plantea la inteligencia artificial.
Su participación refuerza la importancia de construir una educación más crítica, humana y preparada para las transformaciones de nuestro tiempo.
Equipo CIDCMIL, 2026.